Corações
em revoada assaltaram-se de seus ninhos: vôos de linha de fuga
Que plana
sobre o roxo do incomensurável
Sentido
tão próprio da mulher
Não se
caber num si mesmado
Deixar-se
escorrer e escapar de tempos em tempos
Um certo
tanto de desmesura
Fazer-se
obscuro e entremeado como um céu noturno
Secretando
alegrias inauditas
Nosso
sarau esteve assim
Enriquecido
de um riso coletivo
De um
deslumbre que só se encontra sob o feitiço
Deste
devir-mulher que não cabe nunca
E só
aparece excessivo e transbordante
Escapando
e riscando uma linha corrediça
Para
o lugar em que a palavra deschega
Embebedamo-nos
com os afagos de cantos
De danças,
Músicas,
Cenas
Performances
E só
deu para suportar tudo isso porque
Nosso
sarau foi mesmo de nós tantos
Deliciado
em corpos coladinhos
Apertados
para dar clareira à arte
À delicadeza,
à fúria, ao belo sem forma, ao lindo sem cara
Tudo
o que não tem como caber no peito de um só
O
sarau cumpriu a que veio
Fazer
do encontro uma poesia
Mas
de toda poesia
Um gole
longo e inebriante de alegria
Certamente,
honramos
A todas
as mulheres-feiticeiras
E é
possível ser mulher de verdade sem ser feiticeira?
E é
possível ser feiticeira sem encantar
Com a
alegria que transborda os corações?
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três feiticeiras cantando Elis! |
Agradecemos muito carinhosamente aos alun@s
Ana Zago, Laura Moraes, Luana Rodrigues, Luciana Trajano, Fabio Barbosa pela parceria, força e criatividade na produção, concepção e realização deste evento.
Também agradecemos e parabenizamos de coração às alunas Vanessa e Valeska Oliveira por sua apresentação e por estarem cultivando os seus devires-mulher através da dança oriental com tal força que nos incitou a conceber este sarau.
Agradecemos ainda a todos os artistas e amantes da arte que trouxeram suas artes para povoar nosso sarau com o que há de mais belo, forte e sensível.
E claro, nosso afetivo muito obrigado a todos os parceiros e amigos que estiveram presentes, fazendo deste evento uma noite encantadora!