
Neblina cinzenta, cheia de respingos de cor indefinida
Uma estrela do mar desabada na areia soluça seus
últimos

A vida míngua frente a sua própria voracidade
Contrai-se para não sucumbir
Expira vida, expira
A carne lateja
Fissuras tendem ora a se abrir, ora a se fechar
Axilas fedem
Entranhas inchadas pulsam ora largo ora num limiar mais miúdo
Um ventre passa a enxergar as minúcias da vida
Silenciosamente
Soluça
Grita
Se esfola
Se agita
Se contorce
A travessia é a fronteira da mistura
Fervem mucosas desenganadas
Um rio encontra com o mar
Rio vermelho
Mar leitoso
Espraiam-se mutuamente
Choram espumosos
Tartarugas desovam na areia
Uma revoada rasante de passarinhos fura o horizonte
É primavera
Uma garça levanta vôo
Enquanto a maritaca gargalha